domingo, 25 de setembro de 2016

SEQUÊNCIA DIDÁTICA - DIREITOS DA CRIANÇA


                                                                                                             Por Maria Silva

·         Público Alvo: Alunos da Educação Infantil e Ciclo de Alfabetização;

·         Componentes Curriculares: Língua Portuguesa, História e Arte;

·         Etapas: 05;

·         Tempo de Execução – 3 dias;

·         Objetivos:

- O aluno ao final das atividades deverá ser capaz de saber que todas as crianças têm direitos, independente da nacionalidade ou condição socioeconômica, devendo viver sua infância plenamente.


ETAPA 1 - Conhecimento Prévio – Leitura de Imagens

·  Expor em cartaz para a turma com imagens de crianças de várias nacionalidades;

·    Discutir com as crianças sobre as imagens selecionadas (como se vestem, brincam, se comportam, etc...). Iniciar a compreensão das crianças quanto ao entendimento que independente da nacionalidade e da forma como vivem, as crianças tem o direito de ser criança e viver sua infância, fase bem encantadora da vida humana...


ETAPA 2 - Lista Coletiva de Palavras - Todas das crianças tem direitos!

·    Na atividade anterior, vimos imagens de várias crianças e entendemos que independente de onde e como vivem, todas as crianças tem o direito a ter sua infância respeitada. Assim, se vocês tivessem que escolher palavras para representar os direitos que todas as crianças têm, quais palavras seriam? 

     Vamos criar nossa lista de Direitos das crianças? (propor que os alunos falem e eles mesmos escrevam a lista coletiva, o professor ou um aluno mais experiente ajudam aos que ainda não tenham se apropriado do Sistema de Escrita Alfabética.)


TODAS AS CRIANÇAS TÊM DIREITOS!


SÃO DIREITOS DA CRIANÇA?









ETAPA 3 – Leitura do Livro: – Os direitos das crianças segundo Ruth Rocha

·         Apresentação do Livro – (capa, autor, ilustração, do que irá tratar?)
·         Leitura com entonação e alegria – (caso não tenha acesso ao livro – fazer cópia do poema para cada aluno);

·         Interpretação contexto do livro –
- Dos direitos citados no poema de Ruth Rocha, tem algum que vocês não conheciam? Vocês lembram o que ela sugere?...
- Vamos fazer a Lista com alguns Direitos da Criança segundo Ruth Rocha?


ETAPA  4 – Interpretação da Música – Direito da Criança – Interprete: Mara Maravilha – Composição: Marcos Pagé,  Marileide Félix   e Paulo Góes

·      Na aula anterior, lemos um poema lindo de Ruth Rocha, onde ela mostra na visão dela todos os direitos que as crianças possuem. Alguém lembra quais eram esses direitos? Vamos fazer a leitura da lista?

·         Assim como nós fizemos a nossa lista dos direitos que achávamos que as crianças tinham, algumas pessoas como Ruth Rocha, que já fez poema sobre esses direitos, existem também algumas pessoas que escreveram músicas que falam sobre isso também. Vocês conhecem algumas?

·         Propor aos alunos, a escuta silenciosa da música: Direito da Criança - cantar coletivamente (cópia da letra para cada aluno) e interpretar oralmente o seu contexto;

·      Ampliar a fundamentação das crianças quanto aos Direitos da criança – Breve exposição oral do professor sobre a Declaração Universal dos Direitos da Criança.

·      Propor aos alunos que usem a imaginação, escolhendo um dos direitos de que a música fala e fazer desenhos desses direitos para compor um mural coletivo.

·         Como Atividade para casa - Sugerir que todas as crianças expliquem para os pais que elas têm direitos e dentre eles: “O Direito a Educação Gratuita e ao Lazer Infantil”. Solicitar aos alunos que tragam seus brinquedos favoritos para a aula seguinte.
                                                                                                           

ETAPA 5 – Poema da Musical – É Bom Ser Criança - Autor: Toquinho

·         Fazer a leitura compartilhada do Poema;

·         Ouvir o poema musical e cantar coletivamente;

·         Interpretar o poema:

- Segundo o poema quais direitos às crianças têm que gente grande não tem? Digam três tipos de brincadeiras que aparecem no poema? Das brincadeiras citadas no poema qual lhe parece mais divertida?


·     Ao final o professor deverá garantir as crianças o Direito ao Lazer Infantil, propondo brincadeiras livres com os brinquedos trazidos de casa (essa atividade pode ser realizada ao ar livre, no pátio da escola).



TEXTOS E MÚSICAS A SEREM UTILIZADOS...


"OS DIREITOS DAS CRIANÇAS - RUTH ROCHA".


A autora poetiza os conceitos quanto aos direitos das crianças de uma forma linda e expõe que tais direitos não é questão de concordar e sim de respeito à infância.


"OS DIREITOS DAS CRIANÇAS SEGUNDO RUTH ROCHA" 

TODA CRIANÇA DO MUNDO DEVE SER BEM PROTEGIDA
CONTRA OS RIGORES DO TEMPO                                                                   
CONTRA OS RIGORES DA VIDA.                                                                           
CRIANÇA TEM QUE TER NOME
CRIANÇA TEM QUE TER LAR
TER SAÚDE E NÃO TER FOME
TER SEGURANÇA E ESTUDAR.

NÃO É QUESTÃO DE QUERER NEM QUESTÃO DE CONCORDAR
OS DIREITOS DAS CRIANÇAS TODOS TEM DE RESPEITAR.

DIREITO DE PERGUNTAR... TER ALGUÉM PRA RESPONDER.
A CRIANÇA TEM DIREITO DE QUERER TUDO SABER.
A CRIANÇA TEM DIREITO ATÉ DE SER DIFERENTE.
E TEM QUE SER BEM ACEITA SEJA SADIA OU DOENTE.

TEM DIREITO À ATENÇÃO
DIREITO DE NÃO TER MEDOS
DIREITOS A LIVROS E A PÃO
DIREITOS DE TER BRINQUEDOS.

MAS A CRIANÇA TAMBÉM TEM O DIREITO DE SORRIR.
CORRER NA BEIRA DO MAR, TER LÁPIS DE COLORIR...

VER UMA ESTRELA CADENTE, FILME QUE TEM ROBÔ,
GANHAR UM LINDO PRESENTE, OUVIR HISTÓRIAS DO AVÔ.

DESCER NO ESCORREGADOR, FAZER BOLHA DE SABÃO,
SORVETE, SE FAZ CALOR, BRINCAR DE ADIVINHAÇÃO.

MORANGO COM CHANTILLY, VER MÁGICO DE CARTOLA,
O CANTO DO BEM-TE-VI, BOLA, BOLA, BOLA BOLA!

LAMBER FUNDO DE PANELA
SER TRATADA COM AFEIÇÃO
SER ALEGRE E TAGARELA
PODER TAMBÉM DIZER NÃO!

CARRINHO, JOGOS, BONECAS, MONTAR UM JOGO DE ARMAR,
AMARELINHA, PETECAS, E UMA CORDA DE PULAR.

UM PASSEIO DE CANOA, PÃO LAMBUZADO DE MEL,
FICAR UM POUQUINHO À TOA... CONTAR ESTRELAS NO CÉU...

FICAR LENDO REVISTINHA,
UM AMIGO INTELIGENTE,
PIPA NA PONTA DA LINHA,
UM BOM DUM CACHORRO QUENTE.

FESTEJAR O ANIVERSÁRIO, COM BALA, BOLO E BALÃO!
BRINCAR COM MUITOS AMIGOS, DAR UNS PULOS NO COLCHÃO.

LIVROS COM MUITA FIGURA,
FAZER VIAGEM DE TREM,
UM POUQUINHO DE AVENTURA..
ALGUÉM PARA QUERER BEM...

FESTINHA DE SÃO JOÃO, COM FOGUEIRA E COM BOMBINHA,
PÉ DE MOLEQUE E ROJÃO, COM QUADRILHA E BANDEIRINHA.

ANDAR DEBAIXO DE CHUVA,
OUVIR MÚSICA E DANÇAR.
VER CARREIRO DE SAÚVA,
SENTIR O CHEIRO DO MAR.

PISAR DESCALÇA NO BARRO,                                                         
COMER FRUTAS NO POMAR,
VER CASA DE JOÃO-DE-BARRO,
NOITE DE MUITO LUAR.

TER TEMPO PRA FAZER NADA, TER QUEM PENTEIE OS CABELOS,
FICAR UM TEMPO CALADA... FALAR PELOS COTOVELOS.

E QUANDO A NOITE CHEGAR, UM BOM BANHO, BEM QUENTINHO,
SENSAÇÃO DE BEM ESTAR... DE PREFERÊNCIA COM COLINHO.

UMA CAMINHA MACIA,                                                                               
UMA CANÇÃO DE NINAR,
UMA HISTÓRIA BEM BONITA,
ENTÃO, DORMIR E SONHAR...

EMBORA EU NÃO SEJA REI, DECRETO, NESTE PAÍS,
QUE TODA, TODA CRIANÇA TEM DIREITO A SER FELIZ!


Disponível em: 




DIREITO DA CRIANÇA
MARA MARAVILHA                                                  
COMPOSITOR: MARCOS PAGÉ / MARILEIDE FÉLIX / PAULO GÓES

CRIANÇA TEM DIREITO A SE ALIMENTAR
CRIANÇA TEM DIREITO A SE EDUCAR
SAÚDE É PRECISO, PRECISA CUIDAR
E TODAS AS CRIANÇAS TÊM DIREITO A UM LAR

CRIANÇA TEM DIREITO PRA SE RESPEITAR
NÃO PODE NO PAPEL ESSE DIREITO FICAR
E O MUNDO INTEIRO TEM QUE ENTENDER
QUE O DIREITO DA CRIANÇA É PRA VALER

FUTURO DO MUNDO
NÃO PODE SOFRER NENHUM TIPO DE AGRESSÃO
CRIANÇA AMADA
SÓ TEM CARINHO E AMOR NO CORAÇÃO

REFRÃO:
JÁ É A HORA DE MUDAR
COM OS DIREITOS DA CRIANÇA
NÃO É PRA SE BRINCAR


 POEMA MUSICAL: É BOM SER CRIANÇA  

AUTOR: TOQUINHO

É BOM SER CRIANÇA
TER DE TODOS ATENÇÃO
DA MAMÃE, CARINHO
DO PAPAI, A PROTEÇÃO                                                         
É TÃO BOM SE DIVERTIR
E NÃO TER QUE TRABALHAR
SÓ COMER, CRESCER, DORMIR, BRINCAR
É BOM SER CRIANÇA
ISSO ÀS VEZES NOS CONVÉM
NÓS TEMOS DIREITOS
QUE GENTE GRANDE NÃO TEM
SÓ BRINCAR, BRINCAR, BRINCAR
SEM PENSAR NO BOLETIM
BEM QUE ISSO PODIA NUNCA MAIS TER FIM
É BOM SER CRIANÇA
E NÃO TER QUE SE PREOCUPAR
COM A CONTA NO BANCO
NEM COM FILHOS PRA CRIAR
É TÃO BOM NÃO TER QUE TER
PRESTAÇÕES PRA SE PAGAR
SÓ COMER, CRESCER, DORMIR, BRINCAR
É BOM SER CRIANÇA
TER AMIGOS DE MONTÃO
FAZER CROSS SALTANDO
TIRANDO AS RODAS DO CHÃO
SOLTAR PIPAS LÁ NO CÉU
DESLIZAR SOBRE PATINS
BEM QUE ISSO PODIA NUNCA MAIS TER FIM.

Disponível em:






DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS

A Sigla UNICEF  significa  Fundo das Nações Unidas para a Infância (em inglês United Nations Children's Fund). Órgão da Organização das  Nações Unidas que tem por objetivo promover a defesa dos direitos das crianças, através da observância as suas necessidades e desenvolvimento. O UNICEF rege-se pela Convenção sobre os Direitos da Criança e trabalha para que esses direitos se convertam em princípios éticos permanentes e em código de conduta internacional para as crianças de todas as partes do mundo. Em 1959, o UNICEF criou a Declaração Universal dos Direitos das Crianças. Abaixo segue a Ata da Assembleia da referida Declaração. Leia! 

ATA DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS
A 20 De Novembro De 1959, Em Reunião Desta Assembleia E Aprovada, Passa A Vigorar A Seguinte Declaração:
TODA CRIANÇA TEM DIREITOS                                      
PRINCÍPIO I À IGUALDADE, SEM DISTINÇÃO DE RAÇA, RELIGIÃO OU NACIONALIDADE.
·         A criança desfrutará de todos os direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão outorgados a todas as crianças, sem qualquer exceção, distinção ou discriminação por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra natureza, nacionalidade ou origem social, posição económica, nascimento ou outra condição, seja inerente à própria criança ou à sua família.

PRINCÍPIO II - DIREITO A ESPECIAL PROTEÇÃO PARA O SEU DESENVOLVIMENTO FÍSICO, MENTAL E SOCIAL.
·         A criança gozará de proteção especial e disporá de oportunidade e serviços a serem estabelecidos em lei e por outros meios, de modo que possa desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade
PRINCÍPIO III - DIREITO A UM NOME E A UMA NACIONALIDADE.
·         A criança tem direito, desde o seu nascimento, a um nome e a uma nacionalidade.
PRINCÍPIO IV - DIREITO À ALIMENTAÇÃO, MORADIA E ASSISTÊNCIA MÉDICAS ADEQUADAS PARA A CRIANÇA E A MÃE.
·         A criança deve gozar dos benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e desenvolver-se em boa saúde; para essa finalidade deverão ser proporcionados, tanto a ela, quanto à sua mãe, cuidados especiais, incluindo-se a alimentação pré e pós-natal. A criança terá direito a desfrutar de alimentação, moradia, lazer e serviços médicos adequados.
PRINCÍPIO V - DIREITO À EDUCAÇÃO E A CUIDADOS ESPECIAIS PARA A CRIANÇA FÍSICA OU MENTALMENTE DEFICIENTE.
·         A criança física ou mentalmente deficiente ou aquela que sofre de algum impedimento social deve receber o tratamento, a educação e os cuidados especiais que requeira o seu caso particular.
PRINCÍPIO VI - DIREITO AO AMOR E À COMPREENSÃO POR PARTE DOS PAIS E DA SOCIEDADE.
·         A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade; sempre que possível, deverá crescer com o amparo e sob a responsabilidade de seus pais, mas, em qualquer caso, em um ambiente de afeto e segurança moral e material; salvo circunstâncias excepcionais, não se deverá separar a criança de tenra idade de sua mãe.
PRINCÍPIO VII - DIREITO Á EDUCAÇÃO GRATUITA E AO LAZER INFANTIL.
·         O interesse superior da criança deverá ser o interesse diretor daqueles que têm a responsabilidade por sua educação e orientação; tal responsabilidade incumbe, em primeira instância, a seus pais.
·         A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito.
·         A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares. Dar-se-á à criança uma educação que favoreça sua cultura geral e lhe permita - em condições de igualdade de oportunidades - desenvolver suas aptidões e sua individualidade, seu senso de responsabilidade social e moral. Chegando a ser um membro útil à sociedade.
PRINCÍPIO VIII - DIREITO A SER SOCORRIDO EM PRIMEIRO LUGAR, EM CASO DE CATÁSTROFES.
·         A criança deve - em todas as circunstâncias - figurar entre os primeiros a receber proteção e auxílio.
PRINCÍPIO IX - DIREITO A SER PROTEGIDO CONTRA O ABANDONO E A EXPLORAÇÃO NO TRABALHO.
·         A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração. Não será objeto de nenhum tipo de tráfico.
·         Não se deverá permitir que a criança trabalhe antes de uma idade mínima adequada; em caso algum será permitido que a criança dedique-se, ou a ela se imponha, qualquer ocupação ou emprego que possa prejudicar sua saúde ou sua educação, ou impedir seu desenvolvimento físico, mental ou moral.
PRINCÍPIO X - DIREITO A CRESCER DENTRO DE UM ESPÍRITO DE SOLIDARIEDADE, COMPREENSÃO, AMIZADE E JUSTIÇA ENTRE OS POVOS.
·         A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa, ou de qualquer outra índole. Deve ser educada dentro de um espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universais e com plena consciência de que deve consagrar suas energias e aptidões ao serviço de seus semelhantes.

Fontes:







segunda-feira, 12 de setembro de 2016

LEITURA DELEITE - QUANDO A ESCOLA É DE VIDRO

           

           
                                                                                                                                 
“Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito.
Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes…
Eu ia para a escola todos os dias de manhã e quando chegava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.
É, no vidro!
Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não!
O vidro dependia da classe em que agente estudava.
Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho.
Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
E assim, os vidros iam crescendo à medida que você ia passando de ano.
Se não passasse de ano, era um horror.
Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado, coubesse ou não coubesse.
Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.
E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.
Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, às vezes até batiam no professor.
Ele ficava louco da vida e atarraxava a tampa com força, que era pra não sair mais.
A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava…
As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos.
Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabiam nos vidros, se respiravam direito…
A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação física.
Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começava a correr, a gritar, a bater uns nos outros.
As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio. E na aula de Educação Física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinham jeito nenhum para Educação Física.
Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa.
E alguns meninos também.
Estes eram os mais tristes de todos.
Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada a toa, uma tristeza!
Se a gente reclamava?
Alguns reclamavam.
Então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida.
A minha professora dizia que ela sempre tinha usado vidro, até para dormir, por isso é que ela tinha boa postura.
Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer a vontade.
Então a professora respondeu que era mentira.Que isso era conversa de comunistas. Ou até coisa pior…
Tinha menino que tinha até que sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros. E tinha uns que mesmo quando saiam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que estranhavam sair dos vidros.
Mas uma vez veio para a minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que era pobre.
Ai não tinha vidro pra botar esse menino.
Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola mesmo…
Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do vidro.
Engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado…
Os professores não gostavam nada disso…
Afinal, o Firuli podia ser um mau exemplo pra nós…
Nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até meio que gozava a cara da gente que vivia preso.
Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.
Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.
Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
– Se Firuli pode por que é que nós não podemos?
Mas dona Demência não era sopa.
Deu um croque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro…
Já no outro dia a coisa tinha engrossado.
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.
Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da escola.
Hermenegildo chegou muito desconfiado:
Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli. É um perigo esse tipo de gente aqui na escola. Um perigo!
A gente não sabia o que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
Seu Hermenegildo não conversou mais. Começou pegar os meninos um por um e enfiar á força dentro dos vidros.
Mas nós estávamos loucos para sair também, e para cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro, já tinha dois fora.
E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era para ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros.
E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais e dona Demência já estava na janela gritando:
– SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS!
(Pra ela bárbaro era xingação).
Chamem os Bombeiros, o Exército da Salvação, a Polícia Feminina…
Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava acontecendo.
E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na 6ª série todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros.
Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar.
Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte.
Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria toda de novo.
Então diante disso seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais.
E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental.
Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
– Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso…
Seu Hermenegildo não se perturbou:
– Não tem importância. A gente começa experimentando isso. Depois a gente experimenta outras coisas…
E foi assim que na minha terra começaram a aparecer as Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar…”


AUTISMO E AUTISTAS

Autismo é um Espectro  Um jeito de funcionar  Faz parte desse universo  Os que não buscam se encaixar Os que veem e sentem o outro  Entre as...