segunda-feira, 12 de setembro de 2016

LEITURA DELEITE - QUANDO A ESCOLA É DE VIDRO

           

           
                                                                                                                                 
“Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito.
Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes…
Eu ia para a escola todos os dias de manhã e quando chegava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.
É, no vidro!
Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não!
O vidro dependia da classe em que agente estudava.
Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho.
Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
E assim, os vidros iam crescendo à medida que você ia passando de ano.
Se não passasse de ano, era um horror.
Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado, coubesse ou não coubesse.
Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.
E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.
Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, às vezes até batiam no professor.
Ele ficava louco da vida e atarraxava a tampa com força, que era pra não sair mais.
A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava…
As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos.
Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabiam nos vidros, se respiravam direito…
A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação física.
Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começava a correr, a gritar, a bater uns nos outros.
As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio. E na aula de Educação Física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinham jeito nenhum para Educação Física.
Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa.
E alguns meninos também.
Estes eram os mais tristes de todos.
Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada a toa, uma tristeza!
Se a gente reclamava?
Alguns reclamavam.
Então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida.
A minha professora dizia que ela sempre tinha usado vidro, até para dormir, por isso é que ela tinha boa postura.
Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer a vontade.
Então a professora respondeu que era mentira.Que isso era conversa de comunistas. Ou até coisa pior…
Tinha menino que tinha até que sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros. E tinha uns que mesmo quando saiam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que estranhavam sair dos vidros.
Mas uma vez veio para a minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que era pobre.
Ai não tinha vidro pra botar esse menino.
Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola mesmo…
Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do vidro.
Engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado…
Os professores não gostavam nada disso…
Afinal, o Firuli podia ser um mau exemplo pra nós…
Nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até meio que gozava a cara da gente que vivia preso.
Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.
Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.
Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
– Se Firuli pode por que é que nós não podemos?
Mas dona Demência não era sopa.
Deu um croque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro…
Já no outro dia a coisa tinha engrossado.
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.
Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da escola.
Hermenegildo chegou muito desconfiado:
Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli. É um perigo esse tipo de gente aqui na escola. Um perigo!
A gente não sabia o que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
Seu Hermenegildo não conversou mais. Começou pegar os meninos um por um e enfiar á força dentro dos vidros.
Mas nós estávamos loucos para sair também, e para cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro, já tinha dois fora.
E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era para ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros.
E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais e dona Demência já estava na janela gritando:
– SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS!
(Pra ela bárbaro era xingação).
Chamem os Bombeiros, o Exército da Salvação, a Polícia Feminina…
Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava acontecendo.
E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na 6ª série todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros.
Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar.
Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte.
Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria toda de novo.
Então diante disso seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais.
E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental.
Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
– Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso…
Seu Hermenegildo não se perturbou:
– Não tem importância. A gente começa experimentando isso. Depois a gente experimenta outras coisas…
E foi assim que na minha terra começaram a aparecer as Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar…”


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

SOBRE AS IDAS


Direito
Incondicional
Seu
Transpõe
Angústia
Nostalgia
Culminando
Insuportável
Ausência

                                                                                            Maria Silva

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO CRESCER?


UMA CRIANÇA GRANDE! PARA VIVER INTENSAMENTE O QUE DESEJAR!

Lindo Vídeo!


AMPLIANDO CONSCIÊNCIAS


"A prova de que estou recuperando a saúde mental, é que estou cada minuto mais permissiva: eu me permito mais liberdade e mais experiências. E aceito o acaso. Anseio pelo que ainda não experimentei. Maior espaço psíquico. Estou felizmente mais doida."
Clarice Lispector


                                                                                               


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

TEMA DE PESQUISA - NORDESTE É ISSO!







Elaborei esse estudo como sugestão para o trabalho sobre nacionalismo, tendo em vista as comemorações cívicas de 07 de setembro 2016.

IDENTIFICAÇÃO
·         Publico Alvo: Educação Infantil e Ensino Fundamental(1º ao 5º Ano);
·         Áreas envolvidas – todas as áreas do currículo
·         Duração: 02 semanas

JUSTIFICATIVA
Para contextualizarmos historicamente o Nacionalismo nos aspectos do que a Cidadania hoje exige, se faz necessário um estudo sobre esse lugar que é tão nosso e ao território que nos remete ao lugar que ocupamos enquanto Nação. Diante disso, surgiu a ideia de realizarmos um passeio ao território Nordestino, partindo de canções nordestinas, que trazem em seu contexto nossas raízes, nossas problemáticas e nossas marcas de alegria.

OBJETIVOS GERAIS
De Ensino – Promover uma investigação quanto à Região Nordeste, partindo de músicas populares;
De Aprendizagem – Estudar o Nordeste brasileiro e sua diversidade.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Para os alunos
·         Estudar os estados nordestinos, seus recursos naturais, figuras históricas partindo da música: Nordeste Independente de Ivanildo Vilanova e Bráulio Tavares;
·         Conhecer os quadros de migração, chuvas e secas nordestinas, tendo como referência a música: Asa Branca, de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga;
·         Fazer um passeio quanto às festas nordestinas, religiosidade, ritmos, danças e a alegria desse povo, partindo-se da música: Festa do Interior, de Gal Costa.

CONTEÚDOS
Língua Portuguesa – Rimas, interpretação musicais;
Geografia- Recursos naturais, migração;
História – Figurais populares;
Ciências – Pluviometria;
Matemática – Índices de chuvas e secas no nordeste nos últimos 10 anos
Arte – Músicas e Ritmos – forró, frevo, axé;
Ensino Religioso – Festas religiosas nordestinas (os santos, os padroeiros e ou outras crenças religiosas);
Educação Física – Movimentos Corporais - Ritmos musicais

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
·         Conhecimentos prévios – músicas que falem do nordeste e a exploração dos vários contextos nordestinos;
·         Relatos de experiências – discussão sobre o conhecimento
·         Pesquisas – índices de chuvas e secas, migração;
·         Apresentações musicais;
·         Produções individuais e ou coletivas de textos;
·         Leituras e interpretação de letras de músicas;
·         Criação de desenhos dos contextos musicais, entre outros.


RECURSOS
Aparelhos de som, letras de musicas, computadores, papeis diversificados, livros didáticos, textos informativos, dentre outros.

AVALIAÇÃO
Durante o desenvolvimento da proposta de estudo, observar e registrar o envolvimento, a participação e as produções orais e ou escritas dos alunos, sendo utilizando, tais registros, como parte da avaliação contínua.

PRODUTO FINAL
Diante do estudo em sala de aula, as turmas conforme a música trabalhada contextualizarão para o coletivo da escola suas produções, observando o que de mais significativo representou o estudo para o grupo. 

SEQUÊNCIA DIDÁTICA – CAMILÃO, O COMILÃO








Público Alvo - Ensino Fundamental - 1º ao 3º Anos
Área envolvidas/Conteúdos trabalhados:
Lingua Portuguesa: Leitura, interpretação, lista, receita, produção textual
Matemática: situações problemas, tabela, gráfico
Arte: Desenho, pintura, dramatização
Ciências: alimentação saudável, animais

1º momento
Roda de conversas com levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos sobre alimentação saudável;
Exposição de vídeo: Se alimentar bem, é bom;
Contação de história “ Camilão, o comilão”
Apresentação do livro ( exploração da capa, nome do livro, autor)
Cartaz coletivo (recorte e colagem de alimentos saudáveis e não saudáveis)
Atividades relacionadas ao assunto (de acordo com o nível da turma);


2º momento
Retomada da aula anterior, através de leitura interativa com a participação das crianças através das ilustrações da história “Camilão, o comilão”;
Construção de lista com nomes dos animais e alimentos que aparecem na história;
Atividades relacionadas ao assunto (de acordo com o nível da turma) - origem dos alimentos


3º momento
              Conversas com reflexões sobre o papel dos amigos e a atitude do Camilo para agradecer as doações de alimentos;
Atividades relacionadas ao assunto – produção textual/convite/ interpretação/ (de acordo com o nível da turma);
 Ex: Elaborar a lista de convidados para a Festança da Comilança;
Fazer um convite;
Produção de texto: reescrever a história;


4º momento
Leitura deleite: O Sanduíche da Maricota
Apresentação de cartaz com pirâmide alimentar e exploração;
Construção da pirâmide alimentar de Camilão, o comilão;
Atividade impressa relacionada ao assunto – situações problemas (de acordo com o nível da turma)

5º momento        
Leitura deleite” Poema salada de frutas”;
Atividades relacionadas ao assunto (de acordo com o nível da turma) receita/lista/gráfico;
Salada de frutas;
           Dramatização da história Camilão, o comilão”.



Sugestão, elaboração e créditos à Pedagoga Rita de Cássia Alves Ribeiro




SEQUÊNCIA DIDÁTICA – O GRANDE RABANETE



Público Alvo: Ensino Fundamental - 4º e 5º Anos

Áreas envolvidas/Conteúdos trabalhados:
Língua Portuguesa: Leitura, interpretação, lista de palavras, receita, produção textual;
Matemática: situações problemas, tabela, gráfico;
Arte: Desenho, pintura, dramatização;
Ciências: alimentação saudável, animais.

1º momento

Roda de conversas com levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos sobre alimentação saudável;
Exposição de vídeo: Se alimentar bem, é bom;
Leitura deleite  “O grande rabanete”
Construção de uma Pirâmide alimentar;
Pesquisa sobre o vegetal que aparece na obra literária.

 2º momento
Retomada da aula anterior, com a participação dos alunos através de questionamentos sobre o vegetal pesquisado (o rabanete);
Atividades relacionadas ao assunto (de acordo com o nível da turma)
Pesquisa preço dos vegetais;
Pesquisa em sua residência junto a família sobre os vegetais utilizados na alimentação do seu dia a dia.

3º momento

Leitura deleite: O Sanduíche da Maricota
Dar continuidade as atividades através de observações dos resultados da pesquisa;
Confecção de gráfico ou tabela dos vegetais;
Atividade com situações problemas relacionada ao assunto (de acordo com o nível da turma);

 4º momento

Conhecendo a autora (biografia)
Leitura do recadinho que a autora Tatiana Belinky deixou para os leitores;
Produção escrita: responda a cartinha de Tatiana
Atividade impressa relacionada ao assunto – situações problemas (de acordo com o nível da turma
Extraclasse: Pesquisar cardápio da escola (receita)
  
5º momento

Fazer leitura e observações do cardápio da escola e das receitas realizadas através da pesquisa dos alunos;
Construção de uma receita de salada de frutas;
Salada de frutas, com frutas trazidas pelos alunos;
Dramatização da história O grande rabanete”
  

Sugestão, elaboração e créditos à Pedagoga Rita de Cassia Alves Ribeiro


SEQUÊNCIA DIDÁTICA – A MENINA QUE NÃO GOSTAVA DE FRUTAS



     
Público Alvo - Educação infanti – Níveis IV e V
Áreas envolvidas: Linguagem; Conhecimento Lógico Matemático; Ciências Naturais e  Arte
1º momento
Roda de conversas com levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos sobre alimentação saudável;

Exposição de vídeo: Se alimentar bem, é bom;

Contação de livro “A Menina que não gostava de frutas” – Cidália Fernandes
Apresentação do livro  (exploração da capa, nome do livro, autor);

Cartaz coletivo (recorte e colagem de alimentos saudáveis e não saudáveis)
Atividades relacionadas ao assunto (de acordo com o nível da  turma);

2º momento
Retomada da aula anterior, através de leitura interativa com a participação das crianças através das ilustrações do livro A Menina que não gostava de frutas”

Atividade impressa relacionada ao assunto (de acordo com o nível da turma) – Nomes das frutas/ letra inicial, etc.

3º momento

Roda de conversas com interações orais a respeito da história narrada, alternando momentos de fala e de escuta;

Desenho e pintura da fruta preferida por cada criança;

Construção de gráfico das frutas preferidas pela turma;

Atividade impressa relacionada ao assunto (de acordo com o nível da turma).

4º momento
Leitura deleite: História “Pêssego, pera, ameixa no pomar” apreciar a história procurando o segredo que há em cada página;

Atividades relacionadas ao assunto – (de acordo com o nível da turma);
·                   Quebra-cabeça das frutas;
·                   Cores das frutas;
·                   Brincadeira do tomateiro;
·                   Brincadeira do dado 

5º momento

Música – Salada de frutas – Xuxa;
Dramatização da música;
Salada de frutas com as frutas preferidas trazidas pelas crianças.

               
  Sugestão, elaboração e créditos à Pedagoga Rita de Cassia Alves Ribeiro



domingo, 14 de agosto de 2016

SOBRE ENCONTROS E DESENCONTROS








Eu estive até hoje buscando o UM...

Mendiguei atenção,
Vivi rejeição.
Busquei companhia,
Tive mais melancolia.
Fui muito corajosa,
Recebi a dúvida.
Duvidei se devia assim continuar?
Claro que sim!

Os que não duvidam, só vivem para os outros...
Vamos viver para si?
Mesmo!
                                                                                   



                                                                                  Por: Maria Silva